Terras singulares
TORGA, Miguel, Diário X, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 1968.
Postal de uma reprodução de xilogravura de Monsenhor Nunes Pereira, postal n.º5 de uma edição da Câmara Municipal de Coimbra, penso que de inicios dos anos 80 do Séc.XX.
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TORGA, Miguel, Diário X, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 1968.
Postal de uma reprodução de xilogravura de Monsenhor Nunes Pereira, postal n.º5 de uma edição da Câmara Municipal de Coimbra, penso que de inicios dos anos 80 do Séc.XX.
Foto do site "Pampilhosa da Serra, imagens para o futuro"
Serra da Pampilhosa, 10 de Dezembro de 1972
MIRAGEM
Nem a luz acredita!
Montes, cumes e outeiros
Dum real e pesado panorama,
Transformados em ilhas flutuantes
Num mar de nevoeiro!
Inesperado,
Na madrugada fria,
Um mágico arquipélago acordado
Noutra geografia.
Miguel Torga, in Diário XI, Coimbra
Miguel Torga in Diário XIII, Coimbra, 1983
Quis Deus que Miguel Torga tivesse passado na minha terra no dia em que nasci.
Só mais tarde tive conhecimento desse facto, só mais tarde tive consciência da mensagem que nos estava a transmitir.
A verdade, é que ao longo destes anos, não soubemos preservar a memória do nosso passado. Cortámos constantemente o laço com as nossas raízes, como se isso nos trouxesse um futuro mais rico. Pelo contrário, o nosso futuro não será nada mais do que um vazio. Um vazio de história, de tradições, de memórias. Um vazio de património. Um vazio de identidade!
Por sentir este vazio é que admiro tanto o povo alentejano, porque eles souberam e sabem respeitar a herança patrimonial dos seus ancestrais. Ao visitar o alentejo e ao entrar nas suas casas respira-se logo história.
(Fotografia da Casa do Concelho, "Serras da Pampilhosa")
(fotografia do site do Carregal do Zêzere)
As duas fotografias anteriores, eram da chamada "Casa Grande" (Casa Meireles) do Carregal. Casa com Pedra-D'Armas dos Viscondes de Tinalhas. Disse eram, porque deixou de existir, a casa, a pedra de armas, a capela. Resta a magnólia, no Chão da Tapada, classificada como árvore de interesse público em 3 de setembro de 1996, na altura com 250 anos. (D.R. n.º204, II Série de 03/09/1996). Ainda lá está porque é classificada. Tudo o resto foi-se. E tudo o resto era um valioso património pampilhosense.
Sem dúvida que ficámos mais pobres com esta perda.
A foto em cima, foi retirada do site da liga de melhoramentos de Sobral de Baixo, representa uma homenagem à antiga capela de N. Senhora da Nazaré, que existia naquele local e que foi demolida para dar lugar à casa do povo.
A então capela de N. Senhora da Nazaré já aparecia mencionada no Livro de Visitações da Paróquia de Pampilhosa dos anos de 1700-1799, segundo pesquisa de Ana Paula Branco, site património pampilhosense de A. Lourenço.
Ficam apenas as fotos, para nos darmos conta do que realmente perdemos.
Miguel Torga, Diário XI, 2.ª Edição Revista, Gráfica de Coimbra, 1991
Estas palavras são de Miguel Torga aquando o funeral de Guilherme Filipe, seu amigo pessoal. As palavras escritas na pedra da sepultura de Guilherme Filipe, no cemitério de Fajão, também são de sua autoria.
Mas quem é Guilherme Filipe Teixeira?
Sei apenas que nasceu em Fajão no ano de 1897. Estudou nas escolas de Belas-Artes de Lisboa e de Madrid e teve como patrono Cândido Sotto Mayor.
Em Espanha foi aluno de Joaquín Sorolla na Real Academia de Belas-Artes de São Fernando. Teve várias exposições coletivas e individuais.
Em Portugal, para além das várias exposições das suas pinturas, foi um grande dinamizador cultural. Fundou uma Escola de Acção Artística, o Jardim Universitário de Belas-Artes que promoveu a criação de uma orquestra sinfónica, debates sobre arte e filosofia, sessões clássicas de cinema, etc.
Na década de 30, muda-se para Nazaré, onde se dedicou a pintar temas relacionados com a pesca. Foi considerado por Tomás Ribas o "pintor das paisagens e gentes da Nazaré". Aqui ajuda na organização de um Museu da Nazaré.
Os quadros deste pintor nosso conterrâneo, encontram-se em museus e coleções particulares em Portugal e no estrangeiro.
Descobrir o passado deste nosso pintor pampilhosense dá mais sentido à nossa história. E se em tenra idade nos tivessem divulgado os nossos artistas e sensibilizado para a beleza das nossas raízes, talvez hoje o nosso património, a nossa história, as nossas tradições, estivessem mais salvaguardados.
Mas ainda não perdi a esperança de ver o nosso património pampilhosense mais preservado.
Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Guilherme_Filipe