Património Geológico
Não posso ficar indiferente neste Dia Mundial da Terra e neste Dia Nacional do Património Geológico. Porque o mesmo seria desprezar os nossos antepassados, o mesmo seria desprezar o trabalho já feito no nosso concelho em matéria de património geológico. E a verdade é que este trabalho começou tarde, comparando com outros concelhos vizinhos, mas começou e ainda não acabou. E ainda bem que não terminou porque isso quer dizer que ainda há muito por descobrir nas serras da Pampilhosa.
Segundo António Amaro Rosa, num estudo que fez em 2011, com o nome "Arqueologia em Pampilhosa da Serra" e que se pode ler no SERRAS ONLINE, o primeiro estudo de arqueologia no nosso concelho foi feito por Paula Teresa das Neves Dias, em 1985, e chamava-se "Subsídios para o levantamento arqueológico do concelho de Pampilhosa da Serra".
Em 1994 é editado pela Câmara Municipal o livro "Levantamento Arqueológico do Concelho de Pampilhosa da Serra", dos arqueólogos Carlos Batata e Filomena Gaspar. Deste levantamento resultou a inventariação de 44 estações arqueológicas, não se detetou, no entanto, a existência de arte rupestre.
(Capa do livro editado em 1994)
Espirais em ouro, encontradas no "Forno dos Mouros", penedos da serra do Machialinho, por Manuel Francisco Bento Alves, em agosto de 1985.
(Pág. 48, 49, 50, 51 e 52 do livro "Levantamento arqueológico do concelho de Pampilhosa da Serra)
As duas imagens seguintes são de um enorme quartzito, com inscrições do séc. XVIII, que na altura do levantamento arqueológico, estava a servir de batente de prensa no lagar comunitário de Carvalho, freguesia de Pampilhosa da Serra.
(Pág. 29, 30 e 31 do livro "Levantamento arqueológico do concelho de Pampilhosa da Serra")
(Imagens retiradas do livro "Levantamento arqueológico do concelho de Pampilhosa da Serra")
Pelo facto de, em 2005 o concelho de Pampilhosa da Serra ter sido quase todo devastado pelos incêndios e porque a instalação dos parques eólicos passaram a carecer de acompanhamento arqueológico, os mesmos arqueólogos tiveram a oportunidade de atualizarem o levantamento anterior, mas agora com mais condições.
E dessa atualização resultou a revelação da existência de arte rupestre e da existência de mamoas. 141 mamoas associadas a cerca de 150 painéis de arte rupestre.
O levantamento foi editado pela Câmara Municipal e pela empresa OZECARUS, Lda., em 2009 e chamava-se "Carta Arqueológica do Concelho de Pampilhosa da Serra".
(Capa do livro editado em 2009)
(Descrição de uma mamoa, retirada do livro "Carta Arqueológica do Concelho de Pampilhosa da Serra", pag. 116)
Os arqueólogos Carlos Batata e Filomena Gaspar sentiram a necessidade de intervir em dois monumentos funerários bastante degradados. Após essa intervenção publicaram um artigo, também em 2009, com o nome "Mamoas e arte rupestre no concelho de Pampilhosa da Serra (Centro de Portugal)" para a revista "AÇAFA".
Imagem do aspeto da Mamoa V de Vilares, após a escavação dos arqueólogos Carlos Batata e Filomerna Gaspar.
(Retirada da revista AÇAFA On Line, n.º2, 2009, pág.16)
O núcleo rupestre da Serra da Cebola I, chegou a estar em processo de classificação, mas o mesmo foi arquivado por anúncio n.º13522/2012, D.R. n.º194, 2.ª série, de 8 de outubo de 2012. O ponto 2 do anúncio dizia: "A decisão de arquivamento do procedimento de classificação em causa teve por fundamento o parecer de que a classificação isolada do núcleo da Serra da Cebola é redutora face à extensão, valor científico e patrimonial do complexo de arte rupestre das Beiras, pelo que, para salvaguardar a proteção do núcleo, parece mais adequada a classificação como sítio de interesse municipal.






