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ancestralpampilhosense

A intenção é partilhar este meu gosto pelas antiguidades, pelas histórias, pelas tradições e tudo o que tenha a ver com o património pampilhosense e sensibilizar os descendentes da Pampilhosa da Serra a darem mais valor às suas raízes!

A intenção é partilhar este meu gosto pelas antiguidades, pelas histórias, pelas tradições e tudo o que tenha a ver com o património pampilhosense e sensibilizar os descendentes da Pampilhosa da Serra a darem mais valor às suas raízes!

Pe. Clemente dos Santos do Cabril

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   (Pe. Clemente dos Santos)

 

Nasceu no dia 12 de março de 1908 no Cabril e era filho de José Custódio e Maria José.

Depois de fazer a instrução primária na sua terra natal, desperta nele a vontade de ser sacerdote sendo depois admitido na Companhia de Jesus.

Ingressa em janeiro de 1921 na Escola Apostólica de S. Martin de Trevejo, em Cáceres (Espanha), onde conclui o quinto ano de preparatória.

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Entra ao Noviciado da Companhia e faz os seus primeiros votos.

Depois de passar por vários colégios da sua ordem, vai frequentar a Faculdade de Filosofia de Braga e é seguidamente nomeado prefeito e professor do Instituto de Nun' Alvres das Caldas da Saúde (Santo Tirso).

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      (Instituto de Nun' Alvres das Caldas da Saúde naquela época)

 

Segue novamente para Espanha onde frequenta Teologia na Faculdade de Granada.

Celebra a sua primeira Missa no Cabril a 4 de agosto de 1941 e passa, a partir daqui, a dedicar-se à pregação por todo o país.

O Pe. Clemente era conhecido por toda a gente da serra e por esse motivo sentia e vivia os problemas da sua gente!

Celebrou as bodas de prata da sua ordenação no Cabril a 4 de agosto de 1966, rodeado dos seus amigos padres, conterrâneos e do Sr. Bispo de Coimbra, D. Francisco Rendeiro.

Vivia na casa dos padres da Companhia, em Cernache (Condeixa), quando faleceu, a 7 de março de 1967, com 59 anos. O seu funeral realizou-se no dia 8 de março no cemitério de Cernache.

 

Francisco Luís Nunes e a Capela de N. Senhora de Fátima

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(Francisco Luís Nunes)

A primeira aparição de N. Senhora aos pastorinhos deu-se no ano de 1917. Passados poucos anos, a fé do povo português por N. Senhora de Fátima fez com que fossem construídas várias capelas em sua honra.

Na vila de Pampilhosa da Serra a Capela de N. Senhora deve-se a Francisco Luís Nunes que a mandou construir e a ofereceu à comunidade, assim como o terreno envolvente à capela.

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(Capela de N. Senhora de Fátima e terreno envolvente antes das obras de 1997)

 

Francisco Luís Nunes nasceu na vila de Pampilhosa da Serra em 1860 e faleceu em 1940.

Para além de ter sido Tesoureiro da Fazenda Pública, tratado pelos pampilhosenses como o “senhor recebedor”, era também proprietário da Loja Nova, um estabelecimento comercial onde havia de tudo. O estabelecimento ocupava todo o edifício onde é atualmente a Repartição de Finanças e tinha o monopólio da venda de tabaco e outros bens que necessitavam de licença de comercialização.

Quando Francisco Luís Nunes se reformou, sucedeu-lhe no cargo o seu filho, José Augusto Nunes Barata, pai de Maria Luísa Nunes Lucas de Brito e de José Fernando Nunes Barata.

A capela que hoje temos é maior que a mandada construir por Francisco Luís Nunes. Ela foi restaurada em 1997 por iniciativa da Comunidade Paroquial com a colaboração da Câmara Municipal.

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(Placa da comemoração das obras de 1997)

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(Recinto da Capela de N. Senhora de Fátima atualmente)

 

Os descendentes de Francisco Luís Nunes ofereceram anos mais tarde o terreno contíguo ao da capela, onde se contruiu o campo de futebol.

Em meu nome, muito obrigada à família deste grande pampilhosense, pela capela, pelo seu espaço envolvente e pelo terreno que foi por muitos anos palco do futebol jovem do Grupo Desportivo Pampilhosense!

 

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(Fotografia onde se vê a capela atualmente e os muros do antigo campo de futebol.)

 

 

Agradecimentos:

- Dr.ª Maria Luísa Nunes Lucas de Brito

- Dr.ª Ana Maria Barata de Brito

 

A escola de Moninho

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( 28 de maio de 1949 - Moninho)

 

Já partilhei aqui no blogue fotografias que fazem parte da história da Comissão de Melhoramentos das Quatro Povoações Unidas. Esta Comissão agora extinta, agregava as povoações das Moradias, Moninho, Soeirinho e Vale de Carvalho, da freguesia de Pampilhosa da Serra.

As fotos que anteriormente partilhei retratavam a inauguração dos fontanários na povoação de Moradias. Desta vez, trata-se de uma inauguração mas, na povoação de Moninho.

A fotografia que vos trago é de 28 de maio de 1949, mostra vários elementos pertencentes à Comissão de Melhoramentos das Quatro Povoações Unidas, para além do Padre Benjamim Alves, do presidente da Câmara José Lourenço Gil e da regente da escola Maria do Céu, e foi tirada no dia da inauguração da escola primária de Moninho.

A festa da inauguração foi iniciada por um cortejo, abrilhantado pelo Grupo Musical Fraternidade Pampilhosense. Seguiu-se a bênção da escola pelo pároco da freguesia, o padre Benjamim Alves e posteriormente uma sessão solene onde teve a palavra o presidente da Comissão, José Maria Nobre, o senhor Manuel Martins, membro da Comissão, o senhor padre Benjamim Alves, o senhor Onofre da Silva Gomes, chefe de secção das finanças e por último o presidente da câmara, José Lourenço Gil.

Com o entusiasmo que marcou todo o dia da inauguração deste importante melhoramento, a festa terminou com um Porto de honra servido a todos os convidados.

Foi com os esforços desta Comissão de Melhoramentos e do presidente da Câmara da altura que a escola de Moninho nasceu e que veio servir as crianças destas quatro povoações.

A escola mista de Moninho já tinha sido criada por despacho governamental de 30 de novembro de 1930 mas as crianças estavam a ter aulas numa casa particular (posto escolar) até à inauguração deste novo edifício!

Este novo edifício abriu portas em 1949 e encerrou por meados dos anos 70 do séc. XX.

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(Fotografia da escola de Moninho atualmente)

Quando se pode ter acesso a documentos, livros e fotografias do passado, como eu tive, neste caso desta Comissão, através do senhor José Almeida ("Zé das Moradias") ao qual agradeço muito, podemos constatar o imenso trabalho e seriedade com que estes homens e mulheres colocavam em tudo o que faziam. Os livros onde podemos ver todos os donativos, os nomes de quem dava o que podia para ver melhorias nas suas terras natal, os valores pagos nessas melhorias, desde a madeira, pregos, tecido das urnas aos fontanários ou até à construção desta escola, é um bom exemplo desta dedicação e seriedade!

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(subscrição para fonte nas Moradias)

 

Por estes motivos, é com toda a admiração e respeito que sinto por estes homens e mulheres do passado pampilhosense e por tudo o que eles conseguiram para as suas aldeias que, vou partilhando no meu blogue, os seus feitos e os seus rostos!

 

 

Bibliografia:

A Comarca de Arganil, n.º3550 de 10.06.1949

 

Agradecimentos:

Senhor José de Almeida ("Zé das Moradias")

Dona Lurdes Santos

Dona Conceição Martins dos Santos

Elisabete Matos

 

40 anos do edifício dos Paços do Concelho

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A 15 de julho de 1980 A Comarca de Arganil noticiava a inauguração dos Paços do Concelho de Pampilhosa da Serra com a fotografia que podemos ver em cima.

O novo edifício que demorou 10 anos a se construído, albergou no rés do chão os serviços das finanças e tesouraria da fazenda pública, a biblioteca municipal e as casas de banho públicas. No primeiro andar estavam todos os serviços da Câmara Municipal, secretaria, tesouraria, serviços de águas, serviços técnicos, gabinete do presidente e o salão nobre.

Quem não se lembra dos compridos balcões de atendimento?

No piso térreo ficavam as garagens da Câmara que viriam a ser utilizadas pelos Bombeiros Voluntários até à inauguração do quartel.

Algo curioso que podemos ler nesta notícia é que, aquando a inauguração já acharam o edifício ultrapassado e não adequado às necessidades de 1980. Dizendo mesmo que não se justifica que " em construção actual não tenha ficado um salão amplo para reuniões, recepções e exposições. É pena, mas acontece."

Concordo inteiramente com esta opinião. A Pampilhosa só viría a ter mesmo uma sala de exposições aquando a conversão dos antigos Paços do Concelho, situado na Praça Barão de Louredo, em museu municipal e posto de turismo, no ano de 1997.

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( Antigos Paços do Concelho na Praça Barão de Louredo)

 

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(Vista da vila de Pampilhosa da Serra com os Paços do Concelho em construção)

 

Ao longo destes anos, os Paços do Concelho, foram recebendo algumas melhorias para melhor receber os seus munícipes!

 

 

 

 

 

Bibliografia:

- A Comarca de Arganil, n.º8078 de 19 de julho de 1980.

Agradecimentos:

- Inês Pereira

 

 

Aníbal Dias Pacheco um pároco de Unhais o Velho

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Há noventa e um anos, a um de novembro de 1928 em Pampilhosa da Serra, tomava posse como pároco, Aníbal Dias Pacheco. A fotografia em cima é precisamente desse dia. Várias pessoas da vila quiseram ficar para a história deste dia e para a história da passagem deste pároco na paróquia de Pampilhosa da Serra.

Aníbal Dias Pacheco nasceu em Unhais-o-Velho a 2 de fevereiro de 1906. Fez a instrução primária na sua terra natal e em 1918 ingressa no Seminário Maior de Coimbra.

No Seminário é condiscípulo de Augusto Nunes Pereira, de António Augusto Nunes Afonso, de José Marques da Silva e César Roque (também este de Unhais-o-Velho), apesar destes seus conterrâneos terem ingressado no Seminário no ano seguinte.

No domingo do dia 22 de abril de 1928, na Sé Nova de Coimbra, é nomeado diácono pelo senhor Bispo-conde. No mesmo ano, mas a 22 de julho é ordenado presbítero pelo Bispo-conde de Coimbra, na sua capela particular pelas 6 horas da manhã.

A primeira missa foi celebrada na sua terra natal, como manda a tradição, a 25 de julho de 1928, uma quarta feira. A família encontrava-se de luto devido à morte da sua avó mas este dia único contou com muitas pessoas presentes. No final da missa os pais ofereceram um banquete.

Em toda a sua vida de sacerdócio só teve duas paróquias, mas nelas deu o melhor de si ao ponto de o recordarem com saudade.

A sua primeira paróquia foi Pampilhosa da Serra. Toma posse a 1 de novembro de 1928, onde o ensino da catequese é uma das suas grandes preocupações. Colaborou também no ressurgimento e revitalização da Santa Casa da Misericórdia de Pampilhosa da Serra.

Após dez anos na freguesia de Pampilhosa da Serra, é transferido para a recém criada paróquia de S. José, em Coimbra, no ano de 1938.

Em S. José começou por dedicar-se à catequese, ao Apostolado da Oração, à Conferência Vicentina, à Ação Católica e Obra da Sagrada Família, mas vendo que a Igreja, embora nova, estava a tornar-se pequena para a comunidade, decide empenhar-se na construção de uma nova.Também nesta paróquia manda construir a residência paroquial e o projeto do centro paroquial. Deixa a paróquia e a atividade sacerdotal em outubro de 1974. Por ocasião das comemorações dos 75 anos da paróquia de S. José, a 1 de março de 2008, foi-lhe prestada uma homenagem. Aníbal Dias Pacheco foi o pároco que mais tempo esteve na paróquia de S. José.

Faleceu no dia 26 de outubro de 1987 na sua residência em Coimbra, com 81 anos de idade e foi sepultado no cemitério da Conchada, em Coimbra.

 

 

Centenário do nascimento do Padre Carlos Borges das Neves

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 (O senhor padre Carlos Borges das Neves na cerimónia da 1.ª Comunhão no ano de 1991)

 

 

O pároco Carlos Borges das Neves nasceu no dia 20 de junho de 1918 na vila de Pampilhosa da Serra. Filho de Manuel Borges das Neves, natural da vila da Pampilhosa da Serra e de Ludovina da Conceição, natural de Signo Samo.

Após ter concluído a instrução primária na sua terra natal, seguiu para o Seminário Maior de Coimbra onde concluiu o curso teológico. Foi ordenado sacerdote a 29 de junho de 1942.

Depois de ter sido professor no Seminário, em outubro de 1946 é nomeado pároco de Alvares. Após dez anos em Alvares é transferido para a sua terra natal. Toma posse da paróquia de Pampilhosa da Serra no domingo de Cristo Rei, em outubro de 1956.

Para além de pároco, é nomeado arcipreste de toda a região da Pampilhosa da Serra e passados alguns anos da tomada de posse da sua paróquia, fica também com as paróquias de Portela do Fojo, Machio e Fajão.

O amor que tinha pela Pampilhosa fê-lo dedicar-se e empenhar-se em várias atividades e melhorias, a reconstrução e construção de capelas, o restauro e espaço envolvente da Igreja Matriz, a construção do Cristo Rei, a construção da nova casa paroquial, o empenho nas Semanas Santas e na Confraria do Santíssimo Sacramento, a dedicação à Santa Casa da Misericórdia, aos Bombeiros Voluntários, à Escola Preparatória, onde também foi professor de Religião e Moral e à Rádio Antena de Pampilhosa da Serra, são alguns exemplos de uma dedicação que só pode ser dada por quem tem tanto amor pela sua terra.

Durante 42 anos o senhor padre Carlos não se limitou à sua missão sacerdotal, foi fundador, diretor, editor e mais tarde administrador do Jornal Correio da Serra, durante os anos em que o jornal foi publicado.

Por motivos de saúde, foi dispensado de pároco das suas paroquias, mantendo a sua função de arcipreste, a 8 de novembro de 1998.

A 6 de abril do ano de 2000, com 81 anos, o senhor padre Carlos Borges das Neves falece na casa que tinha mandado construir, no seu torrão natal, vila de Pampilhosa da Serra.

 

 

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 (Pormenor da assinatura do senhor padre Carlos)

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

105 anos de memórias imprensa periódica pampilhosense, Arganilia, n.º29, série III,  Carlos Borges das Neves: diretor, editor e proprietário do jornal Correio da Serra, por José Ramos Mendes, dezembro 2016.

A Páscoa de outros tempos

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 (No sítio do Preles, Páscoa de 1957. Arquivo particular da família.)

 

Por meados do século XX e por esta altura da Páscoa, as crianças de Aldeia Fundeira e das aldeias vizinhas, esperavam ansiosas pela chegada do senhor Jaime Augusto dos Santos, conhecido por “Jaime do Preles”.

Jaime Augusto dos Santos nasceu no sítio denominado Preles que fica junto ao Rio Unhais, ao fundo de Aldeia Fundeira. Assim como tantos dos seus conterrâneos, emigrou para Lisboa à procura de melhores condições de vida. Em Lisboa fez fortuna na construção civil e nunca esquecendo o seu torrão natal, para além dos donativos que fazia, foi também reivindicando junto do governo central, melhorias para Aldeia Fundeira, para o Preles (na construção da Ponte do Preles) e para o seu concelho.

Durante dezenas de anos, o senhor Jaime manteve a tradição, de oferecer às crianças na Páscoa, uma muda de roupa e amêndoas. Oferecia também um lanche em sua casa, para as crianças e para os pais destas.

Nos anos cinquenta do século XX estas ofertas eram feitas no Preles. A partir dos anos 60, estas ofertas e o lanche eram oferecidos na casa que mandou construir em Aldeia Fundeira.Era uma casa grande, com projeto de arquitetura e com pormenores nunca antes vistos por estas serras. Um dos pormenores mais emblemáticos foi mandado construir junto à casa, era a torre com um relógio que tocava as horas, ouvindo-se na Aldeia Fundeira e nas aldeias vizinhas.

Nas fotografias não se consegue ver todas as emoções do momento, mas nas várias fotografias espalhadas pela casa do senhor Jaime, em Aldeia Fundeira, conseguimos ver a alegria das crianças, dos pais, mas principalmente do senhor Jaime!

 

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 (Na casa do senhor Jaime em Aldeia Fundeira, Páscoa de 1960. Arquivo particular da família.)

 

 

 

 

Agradecimentos:

- João Henrique dos Santos Fernandes;

- Maria dos Anjos Baeta Terceiro Almeida;

- Deolinda de Almeida Terceiro;

- Maria do Céu Reis.

 

Santo António e os Santos Populares

 

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Nestas serras cheira a rosmaninho e macelas. Com os aromas vêm também as memórias das coroas que os jovens faziam com macelas, das fogueiras de rosmaninho à volta do mastro, todo ele revestido com rosmaninho e com um cântaro de barro na ponta e os saltos por cima das fogueiras. Depois ainda havia tempo para o bailarico que se fazia junto à fogueira. Estamos no mês dos Santos Populares!

No dia de Santo António ou no domingo seguinte fazia-se e continua a fazer-se, a procissão, a missa e o leilão das oferendas que as pessoas prometiam ao santo.

Há uma antiga história, engraçada, de um homem da Pampilhosa que tinha o seu porco doente e como era um prejuízo muito grande a morte do porco, pois já estava perto da matança, o dito senhor prometeu ao Santo António os pés e outras peças do porco se o Santo António o conseguisse salvar. A verdade é que o porco acabou por morrer doente. O senhor um dia apanhou uma bebedeira e foi ralhar com o Santo António, dizendo-lhe: “…tu não querias só os pés, tu querias era o porco todo!”.

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A fotografia em cima, é do Altar da Capela de Santo António na vila de Pampilhosa da Serra. O altar recentemente restaurado por técnicas competentes pôs a descoberto as pinturas originais.

A Capela é do século XVI, apesar de já ter sofrido algumas alterações e a imagem de Santo António, uma escultura em pedra do séc. XVII.

Para além da mordoma da Capela de Santo António que lhe dedica o seu tempo desde a altura do senhor padre Carlos Borges das Neves e prepara a festa religiosa, existe ainda uma comissão constituída por homens da vila chamados António que trata da festa profana. Uma festa muito bonita e bairrista.

Não posso esquecer os habitantes do Bairro de Santo António desta vila que têm gosto em manter as suas casas cuidadas e de ter a rua cheia de flores.

Cheira bem, cheira à Pampilhosa da Serra!

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(Pormenor da Rua de Santo António)

 

Agradecimentos:

- À Alda Brito, mordoma da Capela de Santo António,

- Ao António Brito, membro da Comissão de Festas de Santo António,

- Ao Rui Brito, morador na Rua de Santo António.

Dia de Santa Rita

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 (Altar e retábulo da Capela de Santa Rita)

 

Maio é o mês de Maria, das mães, mas é também o mês de Santa Rita, pois este festeja-se a 22 de maio.

Santa Rita de Cássia nasceu em Roccaporena (Itália) no ano de 1381 e faleceu a 22 de maio de 1457 em Cássia. Desde criança que demonstrou vontade de se consagrar à vida religiosa mas, para obedecer a seus pais, casou-se aos doze anos. Após a morte do marido e dos seus dois filhos ingressa no mosteiro das irmãs Agostinianas. Durante catorze anos e até à sua morte, trouxe um estigma na testa, estando associado à paixão de Cristo. Foi beatificada em 1627 e canonizada pela Igreja Católica em 1900. Os milagres que lhe são atribuídos são tantos e tão extraordinários que é considerada “advogada das causas perdidas e santa do impossível”. É padroeira das causas impossíveis, dos doentes, das mães e esposas que sofrem pelos maus tratos dos maridos. Costuma estar representada com um espinho cravado na testa, com rosas e crucifixo.

A fama de Santa Rita espalhou-se por toda a parte e depressa chega a Portugal.

Na vila de Pampilhosa da Serra construiu-se uma capela particular em sua honra que, segundo estudo de Ana Paula Branco, poderá ser ainda do século XVII, pois o culto a Santa Rita começa logo por altura da beatificação. Quem habitava a casa onde está incorporada a capela, em 1763, era o Capitão Custódio Homem Castelão de Brito Leitão que pagava foro a Marcos de Torres de Portalegre, tendo também que paramentar a Capela de Santa Rita. Este Marcos de Torres era descendente da família proprietária da casa que deixaram a vila para exercer cargos de sargento-mor, tabelião e outros.

Durante vários anos a casa era conhecida como sendo a “Casa dos Melos” porque os netos do referido Capitão, Luís de Mello Castelão de Brito Brandão, Custódio de Mello Brandão, D. Maria Catarina e José Feliciano de Mello Brandão, terão habitado nesta casa até morrerem.

A casa, a capela e propriedades foram compradas nos anos vinte do século passado, por José Augusto Nunes Barata, tesoureiro da Fazenda Pública, a descendentes da família Mello Castelão de Brito Brandão.

José Augusto Nunes Barata e sua esposa, Maria da Anunciação Lucas Barata, professora, e seus dois filhos, a Dr.ª Maria Luísa, que apesar dos seus 93 anos, continua com uma cultura e lucidez admirável e o falecido Dr. José Fernando que doou os 8.000 livros da sua biblioteca particular à Biblioteca Municipal, souberam preservar com dignidade a casa e a capela e foi por esse cuidado que este património com história chegou aos nossos dias.

Os proprietários, a família Barata de Brito, pretendem classificar a casa e a Capela de Santa Rita. Sem dúvida uma boa notícia para o concelho de Pampilhosa da Serra que vai ter assim, salvaguardado, um património importantíssimo da identidade pampilhosense.

 

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 (Coro da Capela de Santa Rita)

 

 

Bibliografia:

- "A casa dos Melos e a capela de Santa Rita na Pampilhosa da Serra - A sua antiguidade e os sucessivos proprietários" por Ana Paula Loureiro Branco, fevereiro de 2017;

- A Comarca de Arganil, n.º550, ano XI, 12 de outubro de 1911;

- Sítio dos parentes e amigos de Ângelo Queiroz da Fonseca;

- https://pt.wikipedia.org/wiki/rita_de_cassia

 

 

Agradecimentos:

- À Dr.ª Maria Luísa Nunes Lucas de Brito;

- Ao Dr. Mário Correia;

- À Dr.ª Ana Maria Barata de Brito;

- À Dr.ª Ana Paula Loureiro Branco;